Assunto foi abordado durante realização do seminário “Direito Digital, Lei Geral de Proteção de Dados e Inteligência Artificial”

Montagem em tela de computador com os participantes da abertura do seminário.

“A Covid-19 acelerou a transformação do mundo, que já estava em curso. A pandemia amplificou o impacto dessas mudanças, tornando-se global, algo comparável apenas ao que o mundo viu na segunda guerra mundial, na década de 1940”, enfatizou o professor, que ministrou a palestra “Transformação digital e upskilling digital como eixos do futuro”, transmitida pelo canal oficial da Enamat no Youtube.

O evento, que é uma parceria entre a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat) e o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Assessores e Servidores do TST (Cefast), será realizado até sexta-feira (13), de forma on-line.

Nova realidade

A presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ministra Maria Cristina Peduzzi, participou da abertura do seminário e destacou que a nova realidade vivida pela sociedade pedia uma regulamentação específica, algo concretizado com a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), em vigor desde setembro deste ano.

“A tecnologia foi criada para encurtar distâncias. Hoje, os dados são a moeda mais valiosa do mundo e trazem informações privadas de pessoas físicas e jurídicas”, disse. “Portanto, essas constantes metamorfoses que as tecnologias vêm promovendo exigiram também uma resposta do direito, que é o novo ramo do direito digital”, completou.

Também estiveram presentes na abertura do evento a diretora da Enamat, ministra Dora Maria da Costa, e o diretor da Cefast, ministro Breno Medeiros. De acordo a diretora da Enamat, a própria escola precisou se adaptar rapidamente às mudanças. “A Enamat foi levada a se reinventar, de aplicativos e ferramentas digitais. Buscaremos sintonizar todos na revolução digital com esse seminário”, disse.

O ministro Breno Medeiros também contou sobre o desafio de acelerar a mudança por conta da pandemia. “O maior desafio foi manter as escolas em funcionamento a distância. A esmagadora maioria dos cursos era realizado de forma presencial e tivemos que dar continuidade às atividades durante o confinamento”.

Revolução

Segundo o professor Luís Rasquilha, há 15 anos não existia nada do que conhecemos hoje como smartphones, aplicativos para celular, serviços de streaming ou armazenamento na nuvem.

Se no início do século XX (1900), o conhecimento produzido pela humanidade era dobrado a cada 100 anos, em 2020, temos uma nova enxurrada de informações a cada 12 horas. Hoje, de acordo com Rasquilha, são produzidos algo em torno de 40 mil exabytes de informações, vídeos, fotos e áudios. Cada exabyte equivale a um bilhão de gigabytes.

No entanto, quantidade de informação não é, necessariamente, conhecimento, como enfatiza o professor, ao lembrar que é necessário, cada vez mais, aprimorar o uso do que a tecnologia nos oferece diariamente. “Vimos que vários negócios ao longo dos anos líderes no seu segmento como Yahoo (site de buscas) e Blockbuster (locadora de filmes em fitas/dvds) simplesmente sumiram ou tiveram que se adaptar aos novos tempos. Os negócios mudaram e mudam a cada dia com a lógica dos aplicativos de celulares”, detalha.

Pandemia

E a pandemia do novo coronavírus? O membro conselheiro do G100 Brasil enfatiza que, de uma hora para outra, praticamente o mundo inteiro se viu obrigado a usar o que a tecnologia já nos oferecia como ensino a distância, reuniões on-line e eventos pela internet.

“A Covid-19 teve essa capacidade de interromper o curso normal da vida como conhecíamos. Nós tivemos que buscar uma nova forma de vida, de trabalho e de relacionamento. Isso acelerou nossa evolução e a expectativa é que o mundo esteja 100% conectado até 2025”, avaliou.

O professor Luís Rasquilha lembra ainda que, o que nós estamos vivendo atualmente é a verdadeira “integração homem – máquina” e uma grande “revolução biológica”, já que não existe mais diferença entre o analógico e o digital. “Deixamos de ver a internet como mera plataforma transacional. E isso vai otimizar o funcionamento dos nossos negócios. Cada um vai encontrar a tecnologia que mais faz sentido pra ela e, caso não queira entrar para esse novo mundo, terá que sofrer as consequência dessa decisão”, pontuou.

Programação

Nesta quinta-feira (12), a programação do seminário “Direito Digital, Lei Geral de Proteção de Dados e Inteligência Artificial” começa às 9h, com a palestra “Juízo 100% digital: a novíssima decisão do Conselho Nacional de Justiça”, com os conselheiros do CNJ Tânia Regina Silva Reckziegel e Rubens de Mendonça Canuto Neto.

Confira a programação:

(Juliane Sacerdote/TG)